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Os Momentos com Ana

Os Momentos com Ana

28
Mai13

Tivesse eu ...


Ana Paula

 
A minha vida está repleta de emoções, de estados de alma, de demonstração de afetos uns mais alegres e outros mais sérios.
A vida é feita destas emoções, destas maneiras de mostrar o que sentimos quer física quer anímicamente. Estas condutas estão intimamente ligadas à nossa tendência, à nossa visibilidade emocional.
Quer rindo, chorando, gritando, quer barafustando, quer pura e simplesmente nada fazendo, podemos expressar a nossa maneira de assimilar determinada posição.
 
Tivesse eu uma vida maravilhosa, poderia exprimir-me de outra forma; Poderia mostrar as minhas emoções de modo feliz, em modo feliz.
 
Tivesse eu mais dinheiro.
 
Tivesse eu uma família maior. Um maior desejo de aventura, de satisfação, de alegria. Mas para que quereria eu mais dinheiro, uma família maior, uma vida maravilhosa, se estou neste momento felicíssima com a minha vida, juntamente com o meu marido, as minhas filhas, os meus pais. No entanto, e existe sempre, ou quase sempre, um mas, o mundo que gira a minha volta está infeliz, está desanimado, está triste, e mais grave ainda é que disparam agressividade, desconfiança, acusações e malvadez para todos os cantos, em todas as direções, deixando tudo e todos com mau humor, e assim, têm o dom de nos deixar emocionalmente desgastados.
Não gosto dessas pessoas pessimistas, sempre à minha volta, que tentam deixar-nos emocionalmente infelizes, não gosto delas, pronto!
 
Tivesse eu o Dom de mudar o pessimismo dos meus circundantes e o Mundo seria melhor! Muito melhor! Seria repleto de emoções alegres, felizes, diria mesmo espetaculares,
 
Tivessem essas pessoas Emoção, positivamente falando claro está, e saberiam viver esta vida com muito mais enfase.

 

 
Tivesse eu o Poder … 
07
Mai13

Ricardo Araújo Pereira


Ana Paula


CARTA AOS 19% (Ricardo Araújo Pereira) Caro desempregado, Em nome de Portugal, gostaria de agradecer o teu contributo para o sucesso económico do nosso país. Portugal tem tido um desempenho exemplar, e o ajustamento está a ser muito bem-sucedido, o que não seria possível sem a tua presença permanente na fila para o centro de emprego. Está a ser feito um enorme esforço para que Portugal recupere a confiança dos mercados e, pelos vistos, os mercados só confiam em Portugal se tu não puderes trabalhar. O teu desemprego, embora possa ser ligeiramente desagradável para ti, é medicinal para a nossa economia. Os investidores não apostam no nosso país se souberem que tu arranjaste emprego. Preferem emprestar dinheiro a pessoas desempregadas. Antigamente, estávamos todos a viver acima das nossas possibilidades. Agora estamos só a viver, o que aparentemente continua a estar acima das nossas possibilidades. Começamos a perceber que as nossas necessidades estão acima das nossas possibilidades. A tua necessidade de arranjar um emprego está muito acima das tuas possibilidades. É possível que a tua necessidade de comer também esteja. Tens de pagar impostos acima das tuas possibilidades para poderes viver abaixo das tuas necessidades. Viver mal é caríssimo. Não estás sozinho. O governo prepara-se para propor rescisões amigáveis a milhares de funcionários públicos. Vais ter companhia. Segundo o primeiro-ministro, as rescisões não são despedimentos, são janelas de oportunidade. O melhor é agasalhares-te bem, porque o governo tem aberto tantas janelas de oportunidade que se torna difícil evitar as correntes de ar de oportunidade. Há quem sinta a tentação de se abeirar de uma destas janelas de oportunidade e de se atirar cá para baixo. É mal pensado. Temos uma dívida enorme para pagar, e a melhor maneira de conseguir pagá-la é impedir que um quinto dos trabalhadores possa produzir. Aceita a tua função neste processo e não esperneies. Tem calma. E não te preocupes. O teu desemprego está dentro das previsões do governo. Que diabo, isso tem de te tranquilizar de algum modo. Felizmente, a tua miséria não apanhou ninguém de surpresa, o que é excelente. A miséria previsível é a preferida de toda a gente. Repara como o governo te preparou para a crise. Se acontecer a Portugal o mesmo que ao Chipre, é deixá-los ir à tua conta bancária confiscar uma parcela dos teus depósitos. Já não tens lá nada para ser confiscado. Podes ficar tranquilo. E não tens nada que agradecer











"CARTA AOS 19%
(Ricardo Araújo Pereira)

Caro desempregado,
Em nome de Portugal, gostaria de agradecer o teu contributo para o sucesso económico do nosso país. Portugal tem tido um desempenho exemplar, e o ajustamento está a ser muito bem-sucedido, o que não seria possível sem a tua presença permanente na fila para o centro de emprego. Está a ser feito um enorme esforço para que Portugal recupere a confiança dos mercados e, pelos vistos, os mercados só confiam em Portugal se tu não puderes trabalhar. O teu desemprego, embora possa ser ligeiramente desagradável para ti, é medicinal para a nossa economia. Os investidores não apostam no nosso país se souberem que tu arranjaste emprego. Preferem emprestar dinheiro a pessoas desempregadas.
Antigamente, estávamos todos a viver acima das nossas possibilidades. Agora estamos só a viver, o que aparentemente continua a estar acima das nossas possibilidades. Começamos a perceber que as nossas necessidades estão acima das nossas possibilidades. A tua necessidade de arranjar um emprego está muito acima das tuas possibilidades. É possível que a tua necessidade de comer também esteja. Tens de pagar impostos acima das tuas possibilidades para poderes viver abaixo das tuas necessidades. Viver mal é caríssimo.
Não estás sozinho. O governo prepara-se para propor rescisões amigáveis a milhares de funcionários públicos. Vais ter companhia. Segundo o primeiro-ministro, as rescisões não são despedimentos, são janelas de oportunidade. O melhor é agasalhares-te bem, porque o governo tem aberto tantas janelas de oportunidade que se torna difícil evitar as correntes de ar de oportunidade. Há quem sinta a tentação de se abeirar de uma destas janelas de oportunidade e de se atirar cá para baixo. É mal pensado. Temos uma dívida enorme para pagar, e a melhor maneira de conseguir pagá-la é impedir que um quinto dos trabalhadores possa produzir. Aceita a tua função neste processo e não esperneies.
Tem calma. E não te preocupes. O teu desemprego está dentro das previsões do governo. Que diabo, isso tem de te tranquilizar de algum modo. Felizmente, a tua miséria não apanhou ninguém de surpresa, o que é excelente. A miséria previsível é a preferida de toda a gente. Repara como o governo te preparou para a crise. Se acontecer a Portugal o mesmo que ao Chipre, é deixá-los ir à tua conta bancária confiscar uma parcela dos teus depósitos. Já não tens lá nada para ser confiscado. Podes ficar tranquilo. E não tens nada que agradecer"

Adoro este moço, tem uma maneira de se expressar maravilhosa. Diz as coisas com diplomacia.
Parabéns.


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